Os sintomas das espondilartrites – uma doença inflamatória reumática – são comummente confundidos com dores nas costas (lombalgidas) comuns, o que leva muitas pessoas a não procurarem ajuda médica, alertam os médicos da Sociedade Portuguesa de Reumatologia.
“Embora haja um número relativamente elevado de pessoas com patologias do foro músculo-esquelético, nomeadamente espondilartrite, a verdade é que os portugueses não têm ainda consciência dos sinais e das suas manifestações clínicas”, começa por alertar a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) em comunicado.
Para os médicos da SPR, esta realidade leva a que existam muitos casos subdiagnosticados de doenças reumáticas e, por conseguinte, de doentes que não estão a receber nenhum tipo de cuidados médicos.
Para o Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o médico José Canas da Silva, “o tempo até ao diagnóstico das doenças reumáticas ainda é dos mais altos da Europa”, sendo que “em certas zonas do país, o acesso à especialidade encontra-se limitado”.
“As espondilartrites constituem um grupo de doenças reumáticas de natureza inflamatória e crónica que partilham características clínicas e genéticas entre si. As espondilartrites afetam sobretudo a coluna vertebral e a região sacroilíaca, podendo ocorrer também atingimento periférico manifesto por dor e inflamação em articulações sobretudo nos membros inferiores”, explica o reumatologista.
“De igual forma as inserções dos ligamentos e tendões podem estar envolvidos, por exemplo, causando inflamação do tendão de Aquiles e fascia plantar ao nível do calcanhar. Este grupo de doenças engloba a artrite reativa, a artrite psoriática, as artrites relacionadas com inflamação do intestino e a espondilite anquilosante, esta última considerada paradigma das espondilartrites”, acrescenta.
Baixas e reformas por falta de tratamento adequado
Por outro lado, as espondilartrites são ainda responsáveis, anualmente, por inúmeras baixas médicas e até reformas antecipadas – muitas vezes por falta de diagnóstico e tratamento adequado. Estas doenças, quando não tratadas, causam dor crónica e podem originar incapacidade física irreversível.
Nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2018 o IX Fórum das Espondilartrites vai debater em Tomar alguns aspetos relacionados com a vida de quem tem estas doenças, como as diferentes opções de tratamento, a gestão das comorbilidades (doenças associadas), as formas de espondilartrites de aparecimento nas crianças, as recomendações e tratamento durante a gravidez em mulheres que sofram de algum tipo espondilartrite e a promoção de diálogo entre vários profissionais de saúde que seguem os doentes com espondilartrites.
Neste evento, reumatologistas e alguns médicos de outras especialidades (gastrenterologia e infecciologia), enfermeiros e associações de doentes reúnem-se para discutir o presente e o futuro das espondilartrites, para que melhores cuidados de saúde possam ser prestados aos doentes que sofrem de espondilartrites.
Por: Nuno de Noronha
